Cientistas afirmam ter descoberto aspecto completamente novo de nosso sistema imunológico

02/08/2018  —  By

Pesquisadores acabaram de descobrir que os processos de sinalização entre proteínas são muito mais complexos do que se pensava. Isso graças a um tipo especial de moléculas “splicing” (processame de RNA) ser mais comum do que o previsto antes.

De acordo com informações da Science Alert, este tipo de molécula já foi considerado extremamente raro. No entanto, os pesquisadores descobriram que elas na verdade representam um quarto das sinalizadoras que identificam partículas tóxicas ou estranhas no corpo. Tal descoberta poderia ter enorme impacto sobre a forma e desenvolvimento de vacinas para tratar condições autoimunes.

 De acordo com o biólogo Michael Stumpf, do Imperial College London, “é como se um geólogo dissesse ter descoberto um novo continente, ou um astrônomo ter encontrado um novo planeta no Sistema Solar”. Basicamente, nosso sistema imunológico funciona através da identificação de coisas que podem ser prejudiciais para o corpo, fazendo também o seu melhor para as neutralizar. Para isso, ele libera proteínas chamadas de anticorpos, que combatem os antígenos.

 Para reconhecer esses antígenos, nosso corpo possui um sistema de sinalização molecular, conhecido como epítopos. Estas estruturas moleculares são posicionadas na superfície das células, onde são capazes de reconhecer os antígenos. Convenientemente, também possuem uma forma e estrutura propícia para que os anticorpos se unam a elas, neutralizando assim qualquer ameaça em potencial.

Até então, os cientistas acreditavam que a grande maioria dessas sinalizadoras foi criada a partir de padrões definidos, como um maquinário celular que faz os fragmentos de proteínas e as organizam em uma sequência particular. No entanto, por meio de uma nova técnica de mapeamento celular, eles descobriram que um quarto desses sinalizadores são na verdade epítopos emendados – que ocorrem quando os fragmentos de proteína são exibidos na célula fora de ordem.

Em outras palavras, isso significa que as células ainda possuem a mesma formação que suas semelhantes, no entanto, a organização da estrutura foi feita de maneira caótica. Hipoteticamente falando, isso poderia tornar muito mais difícil para o sistema imunológico reconhecer respostas imunes. Os cientistas de fato já sabiam que esses tipos de epítopos existiam, embora tidos como incomuns. Por outro lado, de acordo com o novo estudo, eles representam cerca de 25% em termos de abundância e 30-40% em termos de diversidade das moléculas de sinalização. Tal volume inesperado sugere que a sinalização do sistema imunológico carregue muito mais “ruídos” do antes os cientistas estavam cientes. Esta por exemplo, poderia ser a razão pela qual certas condições autoimunes, como a diabetes 1 e esclerose múltipla, são tão comuns.

Enquanto que por um lado a descoberta promove o desenvolvimento de novos tratamentos, por outro ela também significa que a decodificação de respostas imunes ficou muito mais difícil.

A descoberta pode influenciar novas imunoterapias e vacinas, fornecendo novos epítopos-alvo para estimular o sistema imunológico, mas também significa que precisamos fazer a triagem de muitos mais epítopos para a concepção de abordagens de medicina personalizada”, disse a pesquisadora-chefe Juliane Liepe. Fonte: Jornal Ciências